Hoje vim aqui compartilhar com vocês uma grande conquista: Finalmente recebi minha tão sonhada carteira da OAB! Agora sou oficialmente uma advogada e conquistei o sonho de uma vida inteira. O dia pede um textão então compartilho com vocês meu caminho para chegar até aqui e espero poder inspirar e dar forças à todos aqueles que estão correndo atrás de seus sonhos!

O começo da faculdade foi difícil, eu tinha 17 anos e me mudei com os meus pais da capital do Rio pra Petrópolis, queríamos fugir da violência e da agitação. Não conhecia ninguém, não tinha nenhum amigo e assim comecei a faculdade. Logo no primeiro ano tivemos muitos problemas financeiros e precisei trancar o curso, meu mundo caiu pois eu sentia que estava perdendo o meu sonho de ser advogada. Depois de 6 meses consegui ir para outra faculdade na mesma cidade mas perdi todas as matérias que já tinha cursado e tive que começar tudo de novo.

E lá fui eu para outra faculdade, novamente não tinha nenhum amigo e fui muito hostilizada pela minha turma por não ser da cidade e não conhecer ninguém. Os problemas financeiros continuavam e de novo precisei trancar a faculdade, fiquei sem chão pela segunda vez. Depois de mais 6 meses com muita luta dos meus pais consegui retomar o curso e de novo, não conhecia ninguém pois caí em outra turma.

As coisas melhoraram, as pessoas dessa turma eram mais legais e consegui fazer muitos amigos, tudo ia bem mas quando eu tinha 22 anos e cheguei no 6º período fiquei muito doente: tive diarréia por 15 dias e emagreci 8 kgs. Nenhum médico sabia o que eu tinha, fui em vários especialistas, sofri muito, suspeitaram de síndrome do intestino irritável e até de um tumor no intestino, até que consegui encontrar um especialista que me deu um diagnóstico: Colite Eosinofílica, uma doença inflamatória intestinal super rara e sem cura que ele só tinha visto em pacientes idosos e o pior, todos eles já tinham falecido.

Meu mundo caiu outra vez, entrei em depressão e pensei em largar a faculdade, desistir da vida e deixar a doença me corroer, mas meus pais não me deixaram abater, foram a minha fortaleza e me fizeram seguir em frente. Antes da doença eu tinha 80 kgs mas os sintomas eram tão fortes que cheguei a pesar 51kgs. Nos piores momentos eu nem no banheiro ia sozinha, minha mãe cuidava de mim como se eu fosse um bebê.

Não parei a faculdade, com ajuda dos meus pais, dos meus colegas e dos meus professores eu dei conta da matéria perdida e continuei a estudar. Meu médico me prescreveu um medicamento que provavelmente devo usar pro resto da vida e eu consegui estabilizar a doença. Por causa da perda de peso, meu corpo começou a chamar a atenção, eu mudei meu estilo e comecei a me vestir melhor. Por conta disso muitos passaram a duvidar do meu estado de saúde, até mesmo na faculdade. Eu estava bonita por fora, mas só Deus sabia como eu me sentia por dentro, eu sempre disfarçava, mas quantas vezes eu ia pra aula ou pro estágio me sentindo mal e com muita dor.

Uma pessoa que eu considerava minha melhor amiga, que eu considerava muito por "cuidar" de mim nas aulas, se revelou como uma cruel inimiga, começou a me perseguir e mais tarde descobri que ela esperava eu ir embora para falar mal de mim, começou a espalhar boatos sobre mim e a me atacar gratuitamente, fazia piada comigo na minha cara, dizia que minha doença era frescura, que eu tinha que arrumar um namorado, que não podia reclamar pois estava magra, além de outras barbaridades, coisas íntimas que ela deduziu sobre mim e sobre as quais falou até com o coordenador do curso. Sofri muito com os boatos e humilhações que passei, mas tive o apoio dos meus pais e dos meus amigos da faculdade.

No 9º período tentei fazer a prova da OAB pela primeira vez e não consegui passar por 0,25, fiquei arrasada e a ex-amiga deu até churrasco na época no qual, obviamente, eu fui o assunto principal. Me senti um lixo, burra e incapaz,tinha vontade de sumir de tanta humilhação.

Quando cheguei no 10º período estava fazendo tudo ao mesmo tempo, estudando para as provas, fazendo meu TCC e novamente tentando a prova da OAB. Mas quando eu achei que tudo estava calmo, aconteceu: conheci um rapaz e me arrependo muito disso. Estava muito carente pois eu nunca tive sorte nessa parte. Era a primeira vez desde os meus 16 anos em que eu via um cara interessado por mim, fiquei deslumbrada, com a cabeça nas nuvens e parecia uma boba apaixonada. O cara era bonito, tinha uma conversa legal e era carinhoso comigo, me sentia bem com ele. Passei a largar tudo para sair com ele, deixava de estudar, larguei de mão o TCC e OAB eu nem sabia mais o que era.
Mas como nem tudo são flores o cara veio com aquele papo de que não queria ir rápido demais e de que queria só me conhecer. Comecei a perceber que ele falava muito da ex, na verdade toda vez que nos víamos ele só falava dela, tudo que acontecia ele comparava. Chegou a dizer que não me apresentaria pra família dele tão cedo e a gota d'agua: que achava que eu deveria sair com outros caras. Decidi que se eu continuasse com aquilo ia acabar me envolvendo mais ainda então decidi terminar tudo antes de "passar dos limites". Sofri horrores pois realmente tinha começado a gostar dele e queria muito namorar e ter um compromisso sério, não queria ser uma ficante. Foi tudo amigável e sem briga e me doeu perceber o quanto não fez diferença pra ele. Acho que ele nem lembra mais do meu nome.

Como fiquei deslumbrada pelo rapaz que conheci e tinha largado mão de tudo acabei reprovada de novo na OAB, me senti a pior pessoa do mundo, me sentia menor que um micróbio, fiquei muito mal. Percebi que não consegui o namorado e que abri mão da OAB, vi a besteira que tinha feito e sofri muito me sentindo culpada, fiz a escolha errada e no final fiquei com NADA. Queria largar tudo de novo mas meus pais novamente me deram forças pra seguir em frente.

Respirei fundo, decidi recolher meus cacos e fazer o meu caminho de redenção. Consegui recuperar o semestre e fazer o TCC, terminei todas as matérias com uma boa media e tirei 10 no meu artigo do TCC, inclusive com uma recomendação da banca para que fizesse uma tese de mestrado sobre o tema: Pornografia de vingança.

Me formei em setembro do ano passado, a formatura foi linda e de quebra fui escolhida pela turma para ler o nosso juramento. Minha ex-amiga espumava de raiva de me ver plena ali lendo o juramento, passou a cerimônia toda emburrada. Todos que sabiam pelo que eu tinha passado se emocionaram de me ver lendo o juramento. A ex-amiga ficou com tanta raiva que na hora de devolver a beca, a jogou na mesa bufando de ódio, saiu na maioria das fotos de cara fechada. Porém mesmo com essas vitorias ainda me faltava o mais importante: passar na prova da OAB. Ainda me sentia humilhada e envergonhada por ter tentado 2 vezes e fracassado.

Comecei a estudar em janeiro desse ano, me desliguei dos amigos, de tudo, era do trabalho pra casa e de casa pro trabalho. Estudava todo dia e nos finais de semana, não deixava de estudar nem nos feriados. Decidi entrar de cabeça e todas as noites orava com meus pais (meu pai é pastor e minha mãe missionária), pedia que Deus continuasse a me dar forças e que me perdoasse pelos meus erros.

Fiz as 2 fases da prova e no dia do resultado definitivo eu me tremia toda, quase passei mal. Até que eu finalmente vi aquela palavrinha que eu tanto esperava: APROVADA! Eu gritava e chorava ao mesmo tempo de felicidade! Naquele momento, toda dor da doença, toda a humilhação e o meu coração partido não eram nada comparados a minha felicidade e realização! Eu tinha conseguido!

Hoje ainda lido com a minha doença, tenho dias bons e outros ruins, tenho uma dieta muito restritiva mas consigo viver bem, saio com minhas amigas e consigo até ir em alguns restaurantes. Do rapaz nunca mais soube nada pois excluí ele de tudo, espero que ele tenha superado a tal ex ou até voltado com ela, acima de tudo espero que ele não faça mais ninguém sofrer e que um dia ele entenda o quanto a indiferença dele me machucou e me marcou. Fiquei sabendo que a ex-amiga tentou fazer a OAB e ficou reprovada. Lamentei por ela de verdade, pois sei como dói a reprovação, peço a Deus que ela seja uma pessoa feliz e que não precise perseguir as pessoas como ela fez comigo pra se sentir melhor.

Estou numa fase que não tenho vontade de me envolver com ninguém, ainda não me sinto em condições de tentar de novo agora. Mesmo assim sei que amadureci e que não vou cometer os mesmos erros, amor próprio em primeiro lugar sempre. Meu foco é minha vida profissional e me manter saudável.

Hoje sinto que fechei o grande ciclo da minha vida, o qual iniciei quando era criança, quando dizia para todos que quando eu crescesse queria ser advogada. Hoje com 26 anos, eu cresci e finalmente posso dizer: Eu sou advogada!

Espero que minha história inspire vocês, nunca permitam que as circunstâncias da vida as façam acreditar que vocês não são capazes. Vocês podem conseguir tudo o que quiserem, vocês são fortes e corajosos podem enfrentar o mundo como eu enfrentei e atingir aquilo que querem. Não há relacionamento fracassado, amiga falsiane ou doença que possa derrotar um coração cheio de vontade de vencer.

Não sei o que cada um de vocês pode estar passando nesse momento, sei que dá vontade de desistir, de entregar os pontos e largar tudo, mas garanto, um dia tudo isso irá passar e vocês serão recompensados.

Humildade sempre, aprendam com seus erros e sigam em frente!

ACIMA DE TUDO, EU CREIO NO DEUS DO IMPOSSÍVEL, QUE ME TIROU DE UMA CAMA DE HOSPITAL E FEZ DE MIM UMA ADVOGADA, ESSE É O DIREITO QUE DEUS ME DEU!


2 Timóteo: 4. 7. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. 8. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda.

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