Foi essa a frase que eu vi uma colega da faculdade publicar no facebook. A princípio não entendi o motivo daquilo.  Cheguei a pensar que era algo referente à mim, pois sou evangélica, mas mesmo assim não compreendia, sempre nos demos bem, tínhamos conversas agradáveis e tudo mais. Percebi que aquilo não era um ataque nominal à minha pessoa, mas mesmo assim me senti ofendida, li o post que continha a frase, ela estava comemorando a aprovação do casamento homoafetivo nos EUA e dizia no post que “o amor venceu”. Mas como? Como você comemora o reconhecimento de um direito, o amor, com uma frase tão carregada de ódio? Olhei o twitter e a hastag da vez era #chupamalafaia e assim foi durante aquela semana.

Não vou entrar no mérito de concordar ou deixar de concordar com o casamento homoafetivo, pois eu não sou dona da verdade. O que a doutrina da minha religião diz a respeito desse assunto só cabe a quem escolhe seguir a minha religião, ou seja, cabe à mim, não vou impor à ninguém.

Pois bem, essa frase mexeu comigo: “Crentes, vocês me enojam”, fiquei chateada, mas decidi não comentar nada com a pessoa que escreveu, não fiquei com raiva dela, tive que deixar pra lá, não ia adiantar mesmo argumentar. Das poucas vezes que tentei argumentar sobre ofensas proferidas contra a minha religião a reação de quem atacava sempre foi: “Vocês são um lixo, preconceituosos, só vemos evangélicos envolvidos em casos de intolerância, vocês são maus e pronto”. É uma sentença sem a possibilidade de recurso. Estamos errados. SEMPRE.

Certo dia, quando critiquei o fato de uma Transexual simular uma crucificação em uma manifestação, pois achei a cena desnecessária, outro colega comentou que os gays já tem que aguentar os evangélicos em todos os cultos falando mal deles, sendo assim, seria justo eles revidarem. Fiquei perplexa, o meu colega realmente pensava que era isso que nós fazíamos nos cultos, questionei se ele já havia ido á uma igreja evangélica, ele disse que não, expliquei para ele que aquilo não fazia sentido, que ninguém ia para um culto fazer aquilo, que nós orávamos e cantávamos, líamos a bíblia e depois cada um ia para sua casa, ele começou a entender que não era bem aquilo que ele estava pensando. 

Senti a necessidade de escrever o Texto “Todo Mundo Odeia o Crente” e para minha felicidade e alívio este colega leu o meu texto e me disse que aquilo foi útil para ele. Percebi então que uma parte do mau juízo feito contra os evangélicos é resultado de desinformação, além é claro de uma parcela de evangélicos que infelizmente fazem o que chamamos de “dar mal testemunho”, onde apenas dão mais munição para que as pessoas não gostem de nós.

Como todos sabem, sou filha de um Pastor e de uma Missionária, tive uma criação estritamente metodista, tradicional, no que diz respeito a ser racional quanto à minha fé. Em uma criação metodista, se vocês não sabem, somos estimulados a ler muito, estudar muito a bíblia e ter uma visão lúcida sobre as coisas, os cultos obedecem um certo padrão de horário e liturgia, metódico, daí vem o nome, METODISTA. Além de ter uma família evangélica, também trabalhamos com outras igrejas de outras denominações, posso afirmar que já fui na maioria dos cultos da maioria das diferentes vertentes evangélicas, já vi de tudo dentro das igrejas e quando eu digo tudo é TUDO mesmo, podem acreditar.

As vezes eu reflito sobre a minha vida na igreja, desde a infância, e posso afirmar com 100% de certeza que não fui criada para apontar o dedo nessa neurose de “espirrou, pecou”, nunca vi pessoas dentro das igrejas durante os cultos xingando gays ou chutando imagens de santos, nunca vi essas coisas horrorosas das quais acusam a minha religião, já visitei um número incontável de igrejas e denominações e NUNCA PRESENCIEI ESTAS CENAS.

Muita gente quando me conhece diz que eu sou diferente dos evangélicos, que sou uma minoria, NÃO MEUS AMIGOS, FAÇO PARTE DA MAIORIA, DA MAIORIA SILENCIOSA. Enquanto uma parcela de pessoas que se intitulam praticantes ou até mesmo líderes da nossa fé saem pelas ruas e pela mídia vomitando preconceitos e distribuindo intolerância, A MAIORIA de nós está vivendo a própria vida, como pessoas normais, a espera do próximo culto, para revermos nossos irmãos de fé e adorarmos a Deus da nossa maneira.

Já disse isso e preciso dizer de novo: NÓS NÃO SOMOS UMA COISA SÓ! Nós os evangélicos somos muito diversificados, possuímos inúmeras correntes de pensamentos, doutrinas e maneiras de praticarmos a nossa fé, por este motivo nos reduzir a uma única concepção não é um ato muito inteligente. Muitos dos que nos taxam de alienados, ignorantes, chatos, preconceituosos, fundamentalistas nunca sequer já congregaram em uma igreja, há ainda uma parcela de críticos que tiveram experiências ruins com uma determinada denominação e aplicaram isso para toda a religião. É como se você comesse uma maça podre e passasse a acreditar que todas as maçãs estão estragadas.

Não vou mentir, não somos perfeitos, existem muitas coisas erradas no meio evangélico, muitas heresias, falta de respeito, desvios de finalidades, muita gente tirando proveito econômico da fé alheia. Existem sim pessoas fanáticas no meio evangélico, mas eu pergunto, não existe fanatismo em outros meios? Quando uma torcida entra numa briga e quase mata a outra eu não vejo ninguém dizendo que o futebol deve acabar, quando um torcedor mata outro não vejo ninguém dizendo que o futebol é a pior coisa do mundo! E por qual motivo com os evangélicos deve ser diferente? Qual é o motivo dessa indignação seletiva de vocês?

Como vocês tem a coragem de dizer que defendem igualdade e respeito se tudo o que eu vejo são xingamentos para a minha religião? Como vocês tem a coragem de dizer que APENAS NÓS PRATICAMOS INTOLERÂNCIA RELIGIOSA SE VOCÊS SÓ SABEM NOS XINGAR? Como combater um preconceito cometendo outro? Quem VOCÊS pensam que são?

O grande problema é que pessoas como SILAS MALAFAIA, EDIR MACEDO, VALDOMIRO SANTIAGO, MARCO FELICIANO e afins simplesmente se intitularam PORTA-VOZES dos evangélicos e VOCÊS compraram essa ideia, pois é muito cômodo pegar declarações polêmicas e carregadas de ódio de pessoas que não respondem pelos evangélicos para CRUCIFICAR UMA RELIGIÃO INTEIRA! Não! Eles não nos representam, eles não são nossos papas!

Eu morei por anos na MESMA rua na qual fica a igreja do PASTOR SILAS MALAFAIA e nunca, nunca entrei na igreja dele. Sendo assim, é extremamente injusto me responsabilizar, responsabilizar a minha religião pelas coisas que ele diz. Vocês são tão hipócritas por ficarem em seus pedestais se julgando melhores do que nós, mais espertos e inteligentes, nos ofendendo, dizendo absurdos, destilando amargura e ódio.

A intolerância religiosa foi o tema da redação do ENEM deste ano e a única coisa que eu vi foram pessoas sendo, pasmem, INTOLERANTES! Na cabeça de muitos de vocês apenas os evangélicos são intolerantes e isto os faz cegos para perceberem a quantidade de maldade e de ódio que vocês disseminam no mundo. Como vocês se contradizem quando declaram que não merecemos nada de bom, que somos maus sem nem ao menos nos conhecer de verdade.

O que vejo é uma horda de pessoas que se baseia no que assiste na televisão, nas declarações polêmicas de indivíduos, nas opiniões de celebridades que tão pouco tem a dimensão do que dizem, não vejo ninguém ter a curiosidade de se informar, de saber mais, de entender. Vejo opiniões construídas pelo senso comum, pelo que foi lido na internet, por links no facebook que nem ao menos foram abertos.

Apesar dos absurdos que ouço e leio, apesar dos colegas que me decepcionaram, sei que existem pessoas que não são assim, sei que existem pessoas que independente da minha religião me enxergam como eu sou. Acima de tudo eu acredito que existe um Deus, que ele é bom e que ele me ama e que te ama mesmo que você não acredite nele.

PARA QUEM ME CONHECE E PARA QUEM NÃO ME CONHECE, SIM, SOU EVANGÉLICA, SOU O QUE VOCÊS CHAMAM DE CRENTE. TENHO MUITO ORGULHO DE SER QUEM EU SOU. TENHO MUITO ORGULHO DA MINHA RELIGIÃO. NÃO TENHO VERGONHA DO DEUS QUE OS MEUS PAIS ME ENSINARAM A ACREDITAR.

SOU CRENTE SIM, E SE VOCÊ TEM NOJO DE MIM, SÓ LAMENTO.

“E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”
Lucas 23:34

EU SEI QUE NÃO ADIANTA NADA EU ESCREVER ESSE TEXTO, MAS PELO MENOS ESTOU DEIXANDO BEM CLARO O QUE EU PENSO, MESMO QUE NINGUÉM SE IMPORTE.


A Faculdade com certeza foi um dos períodos mais importantes da minha vida, aprendi muito da profissão que decidi escolher e, principalmente, aprendi muito sobre pessoas.

Tem gente boa no mundo, mas na faculdade percebi que também existem as pessoas más, não são apenas as incompreendidas, as que não conseguem lidar com as frustrações, pessoas más, gente ruim, que quer o mal dos outros, que trama contra as pessoas se disfarçando de amigas e de forma impressionante vi como esse tipo de gente consegue arrebatar os demais. Se fazem de amigas, companheiras, posam como evoluídas e sábias, mas querem ver os outros pelas costas, o poder de persuasão é impressionante.

Também tem a parte boa, conheci pessoas extraordinárias, que não se deixaram vencer pelas adversidades da vida, conheci gente forte de verdade, que se doa, que não vive em função de praticar o mal, conheci pessoas que realmente estavam ali por um sonho, que estavam ali para se tornarem pessoas melhores e finalmente percebi que eu sou muito mais forte do que pensava.

Sabe, todo mundo diz que quando a faculdade acaba a gente sente falta e em parte isso é verdade, dá saudade dos momentos bons, da convivência com as pessoas especiais, das piadas, do café na cantina onde todo mundo conversava e ria, mas se você me perguntar se eu queria voltar, se eu queria viver tudo de novo, a minha resposta é não. Foi uma das maiores experiências da minha vida, mas passou. O que eu aprendi, o que descobri, a pessoa que me tornei, as amizades verdadeiras que fiz permanecem, mas aquilo acabou e é bom que tenha acabado.

Por toda a minha vida, durante a criação dada pelo meus pais eu sempre soube: a vida é maior do que eu. Estudei em 6 colégios diferentes, me mudei de casa 13 vezes em 3 cidades diferentes e mudei de faculdade uma vez, sou mais do que consciente que a vida é muito maior do que a nossa turma de colégio, do que nossa turma de faculdade, do que os laços que construímos. A vida não é para amadores, a vida está pouco se lixando se você era a garota popular do colégio, se dava os melhores churrascos na faculdade ou se a sua mesa da cantina era a mais cheia e é aí que está a beleza, a mutação da vida, onde você tem que se reconstruir e se reinventar sempre. 

A parte triste é ver que nem todo mundo consegue superar essas coisas logo de cara, muita gente se prende ao passado, tanto nas coisas ruins como nas coisas que foram boas. É triste ver que muita gente só tinha aquilo, e quando acabou, ficou sem chão, sentindo que faltava uma parte, não falta nada queridos, a gente mesmo se completa, as coisas que aprendemos nas nossas jornadas pessoais nos completam, as pessoas que amamos, o trabalho e enfrentar a vida nos completa.

O mundo é tão grande, mas a gente não consegue perceber se ficar com a mente fechada, tudo vai além, além de quem fomos na escola, de quem fomos na faculdade, além! O emocionante é seguir em frente, é olhar pra frente e perceber que os limites só podem ser impostos por nós mesmos! Acredite, somos muito mais do que pensamos.

Supere! Seja mais! Cresça! E nunca, nunca se conforme! Lute para ser tudo aquilo que você quer ser!

Eu já deixei muitos lugares, muitas pessoas, por coisas da vida que eu não controlava, nunca fiquei parada no mesmo lugar, mas não vejo isso como uma qualidade que me faz melhor do que os outros, hoje vejo isso como uma benção, algo que nunca permitiu que eu me prendesse, que eu me limitasse. Coloquei na minha cabeça e no meu coração que toda vez que eu precisasse ir embora, toda vez que uma etapa da minha vida se findasse eu seguiria em frente, eu iria e não olharia para trás, lembraria das coisas boas, tomaria as coisas ruins como aprendizado, mas nunca, nunca olharia para trás. E esse é o meu conselho para quem estiver lendo esse texto: SIGA EM FRENTE, SUPERE E NÃO OLHE PARA TRÁS!

SEU FUTURO ESTÁ APENAS COMEÇANDO.

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